quarta-feira, 29 de junho de 2016

CNBB divulga subsídios para o Mês da Bíblia 2016.

Temática deste ano traz reflexões inspiradas no livro do profeta Miqueias

Com o tema “Para que n´Ele nossos povos tenham vida” e o lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”, o Mês da Bíblia 2016 traz como proposta de estudo o livro do profeta Miqueias.

Buscando auxiliar às comunidades, paróquias e dioceses, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB apresenta dois subsídios para esta celebração.

O Texto-Base aborda, de forma explicativa, o tema e lema. Está organizado em seis capítulos. Já o roteiro de “Encontro Bíblicos” oferece cinco celebrações para a vivência em grupo, além de sugestões de cantos litúrgicos.

Vivência da Palavra
Criado na década de 1970, com a finalidade de instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus, o Mês da Bíblia é celebrado, no Brasil, em setembro. Para o arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom José Antônio Peruzzo, o Mês da Bíblia na Igreja no Brasil tornou-se espaço de vivência e experiência de fé nas paróquias.

“Graças ao bom Deus, a cada ano vemos crescer nas comunidades de fé o gosto e o sadio anseio por conhecer a Palavra de Deus. Não é apenas curiosidade; não apenas desejo de melhor saber e mais conhecer temas sobre religião. Muito mais, há no coração de nossa gente um secreto desejo de sentido e de esperança. Há uma busca sincera e singela de experiências de fé. Nosso povo quer sentir a proximidade de Deus”, diz.

Dom Peruzzo recorda, ainda, a importância da vivência da Palavra de Deus na vida em comunidade e na família.

“Nosso país precisa de novas experiências de profetismo. O mesmo vale para a nossa Igreja e para as nossas comunidades. Enquanto houver profetas, aqueles que pronunciam a Palavra ouvida de seu Senhor, Deus ainda não terá sido silenciado em meio aos seus. Valorizar a palavra profética, ouvindo-a com humildade e respondendo com fidelidade, é como desejar que a voz de Deus seja sempre a primeira a ressoar e a última a ecoar”, pontua dom Peruzzo.

Os subsídios estão disponíveis no site: www.edicoescnbb.com.br

sábado, 25 de junho de 2016

ACLAMAÇÕES LITÚRGICAS

01 – Nos pontos mais importantes da reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II destaca-se a redescoberta do povo de Deus como assembléia celebrante, reconhecendo o seu protagonismo na ação sagrada e cultual, tornando-a então sujeito da liturgia. “A participação na liturgia é parte integrante e constitutiva da própria ação litúrgica” (A. M. Triacca). Por isso, uma celebração sem a participação do povo jamais pode ser uma celebração viva, exceto aquela em que, por circunstância especial, o sacerdote só pode celebrar sozinho, hipótese em que são omitidas as saudações, as exortações e a bênção no final da missa (cf. IGMR nº 254). Mas – entendamos – mesmo sendo privada, essa missa tem também dimensão comunitária e eclesial.

02 – A liturgia, por sua natureza, é estruturada em linha hierárquica, dados os diversos ministérios dos membros da assembléia celebrante, estes sempre a serviço da liturgia. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II vai dizer: “Por isso, os sagrados pastores devem vigiar que na ação litúrgica não só sejam observadas as leis para a celebração válida e lícita, mas ainda que os fiéis nela tomem parte de maneira consciente, ativa e frutuosa” (cf. SC 11), participação aqui então entendida na linha sacramental e, por isso mesmo, mistagógica.

03 – Neste trabalho, dentre as diversas formas de participação que acontece em toda a celebração, queremos destacar as aclamações litúrgicas, ora com seu sentido de bendição, ora de exaltação, ora de júbilo universal, como ainda de ação de graças, de súplica e de acolhida. Vejamos então as aclamações nos diversos momentos da celebração eucarística:

Nos Ritos Iniciais 

04 – Como resposta à saudação inicial do presidente, a assembléia vai aclamar: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”, e aqui devemos notar três elementos fundamentais: a) Trata-se de aclamação bendizente, e o bendizer é próprio da oração litúrgica, como herdamos da tradição judaica; b) Que somos reunidos por Deus, chamados por ele de nossa dispersão, como outrora, através de Moisés, convocou o povo de Israel para as grandes assembléias do deserto (cf. Ex 19 e Js 24). Portanto, trata-se de iniciativa de Deus e não de mérito nosso; e c) Que a reunião, que agora se efetiva, faz-se no amor de Cristo, o que, desde o início, já supõe um clima de amor fraterno e de igualdade. Na liturgia, com essa aclamação dos fiéis, dá-se por constituída a assembléia celebrante.

05 – Ainda nos ritos iniciais, vamos ter o canto do “Senhor, tende piedade” (Kyrie eleison), que é, ao mesmo tempo, de aclamação ao Senhor e de súplica de sua misericórdia (cf. IGMR nº 52).

Na Liturgia da Palavra 

06 – O canto de aclamação, que antecede imediatamente o Evangelho, é uma aclamação de acolhida e de saudação ao Senhor pela assembléia. O ideal é que essa aclamação seja sempre constituída do Aleluia e de um versículo do Evangelho, omitindo-se na Quaresma o Aleluia. Quando não cantado, pode ser omitido (cf. IGMR nº 62 e 63c). Em resposta ao diácono ou ao sacerdote, no início (“Proclamação do evangelho de NSJC segundo…), e no fim (“Palavra da salvação!”), os fiéis aclamam “Glória a vós, Senhor!” (cf. IGMR nº 175).

Na Liturgia Eucarística 

07 – Também na preparação e apresentação dos dons, há uma aclamação bendizente da assembléia quando o presidente recita em voz alta a oração prescrita, também bendizente: “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão… Bendito sejais pelo vinho…”, a que os fiéis respondem, aclamando: “Bendito seja Deus para sempre!” (cf. IGMR nº 142).

08 – Uma grande aclamação está presente no início da Oração Eucarística, após o Prefácio: é o Santo, entendida também na liturgia como aclamação universal. É cantada por todo o povo e pelo sacerdote. Mais propriamente nesse momento, a assembléia terrestre se une aos espíritos celestes, em liturgia única, aclamando o nosso Deus, três vezes santo, como proclamam os serafins. Também os querubins estão vivamente presentes nessa aclamação com as suas bendições, nela também presentes os santos e nossos defuntos. Na compreensão litúrgica, aqui se fazem presentes as três dimensões da Igreja: Peregrina ou militante, padecente ou de purgação, e triunfante ou gloriosa. A aclamação do Santo encontra sua fundamentação bíblica em Is 6, 3; Ez 3, 12; Ap 4, 8; Sl 118[117], 26; e Mt 21, 9). Como se vê, trata-se de uma aclamação de profundo sentido teológico, bíblico e litúrgico, o que exige de todos mais zelo em sua proclamação litúrgica.

09 – Durante a Oração Eucarística, e variando de acordo com cada uma, estão as aclamações dos fiéis, como plena participação litúrgica. São elas colocadas na mesma temática do momento literário e teológico da Oração Eucarística, devendo então ser rezadas ou cantadas pelos fiéis na mesma tonalidade em que é recitada pelo sacerdote. Dentre essas aclamações, destaca-se a aclamação memorial após o “Eis o mistério da fé!”, nas três propostas da liturgia: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte…”, “Todas as vezes que comemos deste pão…” e “Salvador do mundo, salvai-nos…”. Dentre as três, destaca-se ainda a primeira, não só por seu valor anamnético (memória do sacrifício da cruz), como pela proclamação da ressurreição no “hoje” da liturgia e de nossa vida, e ainda pelo seu conteúdo de fundo escatológico: “Vinde, Senhor Jesus!”

10 – Se o Amém das quatro orações presidenciais, além de ser conclusivo e de ratificação pela assembléia, tornando sua a oração, é também aclamativo segundo o Missal (cf. IGMR nº 127, 146, 151 e 165), muito mais aclamativo é então o Amém após a Doxologia final (“Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”), chamado, por isso, de “grande Amém”, pois a Oração Eucarística é a mais importante oração presidencial, e o Amém que a conclui ratifica, com mais firmeza litúrgica, todo o seu conteúdo, tornando a anáfora mais ainda oração de toda a assembléia celebrante. Nesse sentido, deve distinguir-se, em solenidade, de qualquer outro Amém da celebração eucarística.

Nos ritos de comunhão 

11 – Se o “Pai Nosso” é rezado por todos, o embolismo (“Livrai-nos de todos os males, ó Pai,…”) é acrescentado só pelo sacerdote, e o povo vai concluí-lo com uma aclamação doxológica, isto é, de louvor: “Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!”, aclamação que herdamos da igreja primitiva (cf. Didaqué 9, 4).

Fontes Bibliográficas: 
– IGMR – Instrução Geral sobre o Missal Romano
– Missal Dominical da Assembléia Cristã
– Dicionário de Liturgia (Paulus)
– Didaqué (Catecismo dos primeiros cristãos)


ORAÇÕES SILENCIOSAS DO PADRE DURANTE A SANTA MISSA

A maioria das pessoas pensa que as orações proferidas durante a Missa são somente aquelas que são ouvidas. No entanto, durante a Celebração Eucarística (a celebração da Missa) o padre reza algumas orações em silêncio, que são profundamente piedosa e importantes. Ele fala diretamente a Deus, na intimidade do seu coração, em seu nome e em nome da assembléia (em nome de todos nós que participamos da Missa e de todo o povo de Deus).
Como exemplo, podemos citar o momento da preparação das ofertas, durante a Celebração. Por isso, transcrevemos abaixo esta parte da Missa para que você possa acompanhá-la passo a passo.
Preparação dos dons ou das ofertas
O celebrante levanta a patena com o pão dizendo:
CELEBRANTE: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar pão da vida.
Se não houver o canto do ofertório o povo poderá aclamar:
ASSEMBLÉIA: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante derrama vinho e um pouco de água no cálice, rezando em silêncio:
CEL: (reza em silêncio) Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade.
Em seguida o celebrante reza:
CEL: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação.
Se não houver o canto ao ofertório, o povo poderá aclamar:
ASS: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante, inclinado, reza em silêncio:
CEL: (reza em silêncio) De coração contrito e humilde, sejamos Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus.
O sacerdote lava as mãos, dizendo em silêncio:
CEL: (reza em silêncio) Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado.
Agora, o celebrante faz a oração sobre as ofertas:
CEL: Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo-Poderoso.
ASS: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para no nosso bem e de toda a santa Igreja.
O celebrante agora profere a oração sobre as ofertas, que é tirada do Missal Romano e é própria de cada celebração, de acordo com o momento litúrgico. No fim a Assembléia responde com “Amém”.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Abusos em matéria litúrgica.

Na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, com data de 17 de abril do ano 2003, por ocasião do 25º aniversário de seu Pontificado, João Paulo II diz: “Sinto o dever de fazer veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística” (nº 52). Ele recorda o que alguns parecem ter esquecido: “a liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios” (idem). O Papa lembra as palavras ásperas de Paulo dirigidas à comunidade de Corinto em decorrência das faltas graves em celebrações eucarísticas (1Cor 11, 17-34) e acrescenta: “Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas” (ibidem). Ele anuncia no texto dessa grande encíclica: “Pedi aos dicastérios competentes da Cúria Romana que preparem, sobre este tema de grande importância, um documento específico, incluindo também referências de caráter jurídico. A ninguém é permitido aviltar este mistério, que está confiado às nossas mãos” (idem).

O documento anunciado é a “Instrução Redemptionis Sacramentum, sobre alguns aspectos que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia”. Por disposição do Sumo Pontífice, o texto foi redigido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em entendimento com a Congregação para a Doutrina da Fé. Traz a data de 25 de março deste ano, aprovado pelo Santo Padre que “decidiu pela sua imediata observância, por parte de todos aqueles aos quais compete”. Os temas são tratados em oito capítulos.

Alguém poderia argumentar, após a leitura do documento, que certas determinações se referem a assuntos menos relevantes. No entanto, ao se tratar da Eucaristia, tudo participa de sua grandeza. Além do mais, por se referir ao culto católico, sua universalidade deve ser cuidadosamente preservada. Um dos fatores que têm afetado negativamente a comunhão eclesial e não fortalecem a Igreja, é deixar à criatividade de cada um a introdução de modificações, mesmo em boa fé. Na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” (nº 52), o veemente apelo à observância das normas litúrgicas se justifica pela Fé, pois o mistério eucarístico “é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal”.

Algo de novo aparece, nesta Instrução. Pelo menos não tenho conhecimento de haver sido publicado algo semelhante, como por exemplo no nº 183: “Comunicações de abusos em matéria litúrgica (…) os abusos sejam totalmente corrigidos. Essa é tarefa de máxima importância para todos e para cada um e todos são obrigados a realizar tal obra (…) todo católico (…) tem o direito de apresentar queixa contra abuso litúrgico ao bispo diocesano (…) ou à Sé Apostólica, em virtude do primado do Romano Pontífice”.

O Capítulo I considera “A Regulamentação da Sagrada Liturgia”. O II é “A participação dos fiéis leigos na celebração da Eucaristia”. “A correta celebração da Santa Missa” é o terceiro. A seguir: “A Santa Comunhão”. Vem depois o capítulo que aborda “Outros aspectos referentes à Eucaristia”. O VI: “A conservação da Santíssima Eucaristia e o seu culto fora da Missa”. Capítulo VII: “As funções extraordinárias dos fiéis leigos”. E finalmente, o Capítulo VIII: “Os remédios”.

Evidentemente, não esgoto o assunto. Pretendo chamar a atenção sobre a importância da matéria para eclesiásticos e leigos. A Instrução foi traduzida em português e está nas livrarias católicas. O exemplar que tenho em mãos já está na segunda edição.

Para exemplificar, indicarei alguns aspectos que se devem observar ou evitar acerca da Santíssima Eucaristia. Recordo que a Instrução foi anunciada na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” e lhe dá continuidade.

No capítulo I, “A regulamentação da Sagrada Eucaristia”, lemos: “Infelizmente é preciso lamentar que, sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, devido ao ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos que foram motivo de sofrimento para muitos” (nº 30). E adiante (nº 31): “Não esvaziem o significado profundo do próprio ministério (sacerdotal) deformando a celebração litúrgica com mudanças, reduções ou acréscimos arbitrários. (…) Cuide-se para que a Igreja de Deus não receba ofensa por parte dos sacerdotes, os quais se ofereceram ao ministério com tanta solenidade. Ao contrário, vigiem fielmente, sob a autoridade dos bispos, para que tais alterações não sejam cometidas por outros”. Ao tratar da oração eucarística, repete a Instrução “Inaestimabile Donum”: “Não se pode tolerar que alguns sacerdotes se arroguem o direito de compor orações eucarísticas ou modificar o texto daquelas aprovadas pela Igreja, nem adaptar outras, compostas por particulares” (nº 51). Cabe unicamente ao presidente a recitação de toda a oração eucarística: “é abuso fazer que algumas partes sejam recitadas por um diácono, por um ministro leigo ou todos os fiéis juntos” (nº 52), não é permitido omitir ou substituir por iniciativa própria as leituras bíblicas previstas (…) ou por outros textos não bíblicos” (nº 62). No número 59 determina: “Dê-se um fim ao reprovável uso mediante o qual os sacerdotes, os diáconos e também os fiéis, mudam e alteram por conta própria, aqui e ali, os textos da Sagrada Escritura por eles pronunciados”. Além disso “não é permitido realizar secções (partes) da Santa Missa em momentos diferentes, inclusive no mesmo dia” (nº 60).

Longa a lista de falhas litúrgicas a serem corrigidas, por determinações da Santa Sé. Para cumprir nosso dever de obedecer à Igreja de Jesus Cristo, faz-se mister tomar conhecimento de suas diretrizes. Portanto, é imprescindível a leitura atenta de toda essa Instrução. Será abençoado por Deus quem assumir essa atitude.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Podemos tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento?

Durante o momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, os fiéis não devem tocar o Ostensório”.
Chegam às nossas Paróquias inúmeros questionamentos, como os que transcrevemos abaixo.
Quando Jesus era vivo, as pessoas tentavam ser curadas apenas tocando nas vestes dele. Não podemos fazer isso hoje? Aquele que tem muita fé, não poderia ser curado?

A pergunta responde por ela mesma.
No tempo em que Jesus estava na terra (porque Jesus ainda está vivo), uma mulher (cf. Lc 8, 43) ficou curada não porque tocou em Jesus, mas porque tinha fé.

De igual modo, não precisamos tocar em Jesus, mas crer Nele.
Nosso Senhor nunca disse que deveríamos tocá-lo para ficarmos curados, mas sim, que se crermos Nele, jamais morreremos (cf. Jo 11, 26).
Nós poderíamos citar diversas teologias e regras litúrgicas que mostrassem que não é certo tocar no Santíssimo. Porém, vemos aqui que a questão é outra.
Quem tem muita fé, confia em Deus e Nele espera. Se nós cremos que ficaremos curados de nossos males porque tocamos no ostensório ou nas vestes do Papa ou fomos até Jerusalém, a nossa fé é vã. A nossa fé só não é vã se cremos que Cristo ressuscitou (cf. 1Cor 15, 14).

Podemos tocar na Hóstia ou no Ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento?
Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Sacramento da Eucaristia (Ecclesia de Eucharistia, 17/4/2003). Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor.

A pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo, e se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do Sacramento.

Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na Sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o Autor da bênção.

E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do Mistério Eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros.

In Iustitia Christi
Mons. Inácio José Schuste

MISSAS DE CURA E LIBERTAÇÃO, O QUE DIZ A IGREJA?

Para os que tem preguiça, um resumo: Missa de cura e libertação NÃO PODE.
Para os católicos letrados, seria fácil de responder que Roma jamais promulgou um próprio para uma Missa deste tipo. Por tanto, se não há no Missal Romano um próprio para que se celebre tal culto, não se deve celebrá-lo. De fato, há no missal uma seção intitulada “Missas para diversas necessidades”, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. Existem ainda as Missas especiais de Rogações, as Missas para as Quatro Têmporas e uma Missa “pelos enfermos”. Mas e Missas para “curar e libertar”?

Poderíamos argumentar que “toda Missa cura e liberta”, uma vez que basta o Milagre Eucarístico e a comunhão para sanar todos os males, mas ao que parece este mesmo argumento se vê ultrapassado uma vez que há padres utilizando-se de argumentos espertos que vão desde “estas Missas se celebram de uma forma diferente” até “dinâmicas” que são introduzidas ao gosto do freguês, mesmo sem negar a natureza curativa e libertadora do Sacrifício de Cristo.

Os dois argumentos acima são falhos e criminosos em si mesmos, mas não é deles que trataremos. Definamos então as características básicas de uma Missa de Cura e libertação e analisemos se sua natureza condiz ou não com a Doutrina da Igreja. Nestas Missas são introduzidos:
  1. Orações por cura e libertação;
  2. Cantos emotivos e não litúrgicos;
  3. Homilias artificiais, escandalosas e destoantes da Liturgia da Palavra no dia;
  4. Novos momentos na ação litúrgica;
  5. Exposição do Santíssimo Sacramento no ostensório ainda durante a Missa, e;
  6. Gestos alheios às prescrições do Missal Romano.
Reconhecidas estas introduções, analisemos então.
Quanto ao número 1, das orações por cura e libertação.
A autoridade perene e inequívoca do Santo Padre foi exercida por meio da Congregação para Doutrina da Fé, na “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” nos seguintes termos:
Art. 2 – As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.
Art. 3 – § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27)

Por tanto, qualquer oração por cura que não esteja já inserida nos textos litúrgicos ou que não tenha sido devidamente aprovada pelo Bispo Diocesano, conforme o Can. 838 do CDC, não são litúrgicas e NÃO PODEM SER UTILIZADAS NA MISSA. Da mesma forma, qualquer Missa que deseje rogar a Deus pela cura dos enfermos DEVE SEGUIR A PRESCRIÇÃO CANÔNICA em sua forma, o que não inclui nenhuma das outras introduções das quais trataremos.

Não é da tradição católica, e nem foi tratado ou autorizado por Roma em qualquer documento, orações por “libertação” a não ser aquelas dos ritos de exorcismo. Não se podendo inserir orações na Santa Missa alheias àquilo que ordena a Santa Sé, nos restaria questionar se ao menos as de exorcismo poderiam ser utilizadas para o fim de libertação. Sobre isso diz o mesmo documento:

Art. 8 – § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

O direito permite, no entanto,
§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Por tanto, mesmo na Oração Universal a oração pela cura dos enfermos só se faz quando for canonicamente prevista.

Quanto ao número 2, dos cantos emotivos e não litúrgicos.
Já é fato batido e discutido em inúmeros documentos oficiais da Igreja, alguns infalíveis, qual a natureza do canto litúrgico (nO Quirógrafo de São João Paulo II, Tra le sollecitudini, no Documento da 48ª Assembleia Geral da CNBB, etc). No entanto, a “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” ainda nos diz:
Art. 9 – Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o facto à autoridade eclesiástica competente.

Sem estimular choramingos, labaxúrias ou berros estridentes. O clima da celebração deve manter-se o mesmo de toda celebração litúrgica, principalmente da Eucaristia: silencioso, devocional, piedoso e amoroso.

Quanto ao número 3, das homilias artificiais, escandalosas e destoantes da Liturgia da Palavra no dia.
O Papa Bento XVI nos fala na Sacramentum Caritatis (SC) e na Verbum Domini (VD) sobre a natureza das homilias:
1) A sua «função [portanto, o seu fim] é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fiéis» (SC n. 46 e VD n. 59).
2) «A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida» (VD n. 59).
3) «tenha-se presente a finalidade catequética e exortativa da homilia» (SC n. 46). A respeito do caráter exortativo, a VD menciona a conveniência de, mesmo nas breves homilias diárias, «oferecer reflexões apropriadas […], para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada» (n. 59).
4) Um ponto importante sobre o foco central da homilia: «Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia» (VD n. 59).

Por tanto, não há lugar na homilética litúrgica para homilias como as que costumam figurar nestas Missas.

Quanto ao número 4, dos novos momentos na ação litúrgica.
Não raro, os sacerdotes que se dispõem a este show de horrores na liturgia costumam introduzir momentos estranhos à ação litúrgica que se celebra. Segundas homilias, interrupções à oração eucarística, etc.

Quanto a isso a Instrução Geral do Missal Romano é clara e direta (IGMR 46 à 90), indicando que a Santa Missa consta das seguintes partes:
Ritos Iniciais (entrada, saudação, ato penitencial, Kýrie, Glória e oração coleta);
Liturgia da Palavra (leituras bíblicas, salmo responsorial, aclamação ao Evangelho, proclamação do Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal);
Liturgia Eucarística (preparação dos dons, oração sobre as oblatas, oração eucarística, rito da Comunhão, oração dominical, rito da paz, fração do Pão e Comunhão);
Rito de Conclusão (notícias breves, saudação e bênção do sacerdote, despedida da assembleia, beijo no altar).

Nem dentro nem fora destes momentos a liturgia aceita quaisquer inovações. Algumas celebrações, em especial as pontificais, possuem de fato momentos adicionais mas, no entanto, foram especificamente descritos pela Santa Sé nos livros litúrgicos (Cerimonial dos Bispos, Pontifical Romano, Ritual de Bênçãos, etc) e se prestam à finalidade sacramental para a qual foram criados, em conformidade com a Doutrina e Tradição de sempre.

Quanto ao número 5, da exposição do Santíssimo Sacramento no ostensório ainda durante a Missa.
Sobre o uso da exposição do Santíssimo Sacramento, ou procissão sem o fim para o qual reza a norma, que é a adoração, a Santa Igreja considera ilegítimo, como está abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger já citado anteriormente:

“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos
doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de fato, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».

Oras, se o auge da união com Cristo se atinge na comunhão sacramental e esta é parte da Celebração Eucarística, é para Cristo dentro de si que se deve olhar e não para fora uma vez que “aqui dentro” ele está mais próximo do que “ali fora”. Por tanto, o rito de exposição do Santíssimo Sacramento não cabe na Santa Missa (salvos os casos pontificais presentes nos textos litúrgicos) pois distancia o fiel desta realidade íntima da presença real de Cristo em si.

Quanto ao número 6, dos gestos alheios às prescrições do Missal Romano.
A IGMR é clara:
42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que está definido pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de cada um.
A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes.”

Assim, cremos ter justificado conforme o ensinamento da Igreja que: não, Missa de Cura e Libertação NÃO PODE.

SÃO JOÃO E A INCULTURAÇÃO.

A América é um mundo às avessas (…). O vento norte gélido da Europa é aqui bem morno. Tudo às avessas. Enquanto estou escrevendo, pela passagem da festa de São João, estamos no meio do inverno (…). Em dezembro e janeiro, quando na Europa tudo gela, comemos figos e colhemos lírios. Numa palavra, tudo aqui é diferente (…). A diferença está em nós mesmos, que precisamos modificar nosso conceito” (Antonio Sepp, jesuíta da redução do Japeju, em carta de 1692).

O papa Paulo VI, referindo-se à modernidade européia, desabafou dizendo que “a ruptura entre o evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época” (EN20). Mais dramática seria a constatação papal se ele falasse desde a América, onde nem ruptura haverá propriamente, posto que nunca houve muito amálgama entre a boa-notícia cristã e nossas culturas caboclas. As festas juninas, em torno do senhor São João principalmente, ensejam que reflitamos sobre a necessidade de inculturação litúrgica, doutrinal e ministerial da fé cristã na Igreja deste continente e na vida do seu povo.

Basta dizer que, para os milhões de brasileiros católicos que (mormente no Nordeste) possuem a agricultura como matriz cultural, as alegrias do natal de Jesus não são tão grandes como aquelas que se manifestam por ocasião da festa do nascimento de São João, que acontece na passagem do solstício do inverno entre nós. Na Europa, este solstício, que lá acontece em dezembro, foi aproveitado na fixação da data do natal, transformando-se o carnaval religioso pagão do deus-sol na celebração do nascimento de Cristo, tido como “luz do mundo”. O problema é que os missionários na América bem tarde perceberam que estavam do outro lado do mundo e que este era “um mundo às avessas”: o calendário litúrgico acabou transposto para cá, sem a inculturação que lá se deu. E São João batista, precursor da “luz do mundo”, terminou com a melhor ocasião.

Resultado: inconscientemente, movido pelo deslumbramento com a fartura que a natureza propicia pelo encontro do inverno com o sol que chega cada vez mais forte, o povo vai pras ruas e faz dia santo de qualquer jeito. A guarda é externada pela espera feita em redor da fogueira (também assimilada, entre os indo-europeus, dos cultos solares), numa vigília que reúne parentes em casa a partir do meio-dia de 23 de junho, com muitas pamonhas e canjicas, licores e cafés. Mesmo espalhados pela periferia das metrópoles do sul, e contrariando as normas da aeronáutica moderna, os nordestinos manifestam a beleza da sua cultura soltando os balões coloridos dessa festa. E a importância de São João é tanta, que o orixá sincretizado com ele na religião afro(nagô)-brasileira, que é o Xangô dos raios e do fogo, acabou por nomear sem mais os Terreiros de Pernambuco – onde Xangô/São João sai radiante na procissão animada da Bandeira de Alairá!

Portanto, as festas juninas são as maiores dessa religiosidade brasileira, que resultou da devoção aos santos trazidos pelos colonos portugueses e reverenciados nos oratórios domésticos, com “muita festa e pouca missa, muita reza e pouco padre”. De fato, o catolicismo paroquial, com missa dominical e vigário de batina, enfatizando a piedade e a moralidade, foi implantado em nosso país a partir de 1850. E novamente não se soube inculturar, pois a evangelização dos bispos romanizadores desvalorizou o catolicismo dos leigos, trazendo congregações missionárias e santos e festas que combatiam o liberalismo europeu (como a coroação de Nossa Senhora e a entronização do Coração de Jesus) para substituírem as folias de reis e do divino, procissões das almas e as festas juninas. Estas perderam destaque na liturgia oficial das igrejas.

Resultado: o povo festeja seus santos na rua mesmo. O dia de São João é santificado à moda brasileira: não se precisa ir à igreja. E mais: as festas juninas incorporaram as quadrilhas (valsas européias que são marcadas ainda em “francês” no interior do Nordeste) para celebrarem com alegria telúrica o prazer de corpos quentes que se enlaçam, celebrarem com rojões a bandeira de um fogoso São João. Elas principiam com o “casamento matuto”, que brinca teatralmente com a família tradicional e questiona as autoridades sociais (o delegado é bêbado, o prefeito tonto, o vigário é vigarista), evocando a possibilidade de novas relações, a saudade-esperança de ruas tomadas por um povo dançante, bem alimentado pelo milho e aquecido pelas fogueiras (a propósito: por que a eucaristia não é celebrada com a comida simples daqui, que é o milho, como o pão de trigo era para Jesus e os europeus – ou o arroz é para os asiáticos?!).

Tudo isso pode estar desaparecendo na sociedade que se mecaniza nas cidades, onde todo símbolo popular é transformado em espetáculo funcional e até as quadrilhas deixam de ser dança para todos (vem daí, inclusive, a sua música, forró: “for all”) e passam a ser “estilizadas”: um show “empresarialmente” tratado para o povo assistir. E tudo isso também está sendo contestado pela contra-cultura evangelical que cria agora uma festa de “Sem João, com Jesus“. Mas resta a lição: ao anunciarmos a santidade maior em Jesus Cristo, precisamos considerar a cultura ambiente e a saúde do povo – que do contrário fica mesmo é com São João do carneirinho, protetor do roçado e do rebanho, e com seus colegas José, Antônio e Pedro, encarregados de arrumarem chuva, casamento e casa. Através deles se busca (de um deus regulador e meio distante) soluções extraordinárias e individuais para as ameaças sofridas da natureza ou dos poderosos.
Mas o recurso mágico ao santo pode também ser seguimento da sua vida exemplar e emancipadora. Se estivermos junto ao povo, poderemos passar da dependência do milagre “sobrenatural” que traz benefício do “santo”, para a crença na possibilidade de sermos igualmente “santos” e capazes de fazer das nossas vidas um milagre “mais-que-natural” para a vida dos outros – pelo amor, que é (de) Deus! E disso São João é boa testemunha.

Inculturação e evangelização das culturas.

1. Que é inculturação?
Esta palavra é desconhecida pelos nossos dicionários. Evidentemente, ela nada tem que ver com “inculto” nem com “incultura”, que significam ausência de cultura ou carência de cultivo. Não se trata de um termo antropológico como “aculturação” ou “enculturação” (com “e”). É um neologismo “teoló­gico”, criado na década de 70 e “canonizado” oficialmente no Sínodo Romano de 1977, para significar a missão da Igreja em relação às culturas da humanidade (“Mensagem do Povo de Deus”, n. 5).

2. Por que foi criado esse neologismo?
Esse neologismo se situa nos confins da antropologia cultural e da teologia. Sua novidade é apenas terminológica. E equacionamento moderno de um antigo problema. A questão da relação entre a mensagem cristã e as culturas é tão antiga quanto a Igreja. Mas a problemática da “inculturação” é recente, pois é o resultado da nova conscientização do pluralismo cultural da humanidade. Para expressar essa realidade foi proposta, antes da palavra “inculturação”, uma constelação de termos. Os tratados de missiologia falam de “adaptação”, “acomodação”, “contextualização”, “indigenização”, “aculturação” e “enculturação” (com “e”).

3. Quando surgiu esta palavra?
Em 1974, no Documento da 32ª Congregação geral da Companhia de Jesus, foi introduzida a palavra inculturatio. A introdução desse conceito foi devida à insistência dos jesuítas da Índia que, depois da descolonização, percebiam agudamente como os cristãos na sua pátria se distanciavam da cultura indiana e tinham se europeizado nos nomes, na línguas, nos trajes, no estilo de vida. A autonomia politica reivindicava uma autonomia cultural, e os católicos sentiam a necessidade de que sua fé pudesse se desenvolver e se expressar segundo a índole da cultura da Índia.

Como o Documento da 32ª Congregação geral estava escrito em latim, e em latim só existe o prefixo in (e não o prefixo “em”), então a forma que se impunha era inculturatio (com in). As traduções em línguas modernas preferem conservar esta grafia por causa da nova conotação eclesiológica do termo.

4. Qual a relação entre fé e cultura?
A fé deve continuamente sustentar o diálogo com todas as culturas, inclusive com aquelas que estão nascendo agora; fé e cultura devem estimular-se mutuamente; a fé purifica e enriquece a cultura, mas a cultura purifica e enriquece a fé, pois o diálogo continuo com as diversas culturas liberta a fé, permitindo-lhe mais plena expressão de si mesma e a superação dos limites, dentro dos quais uma cultura determinada poderia encerrá-la. A fé difunde sua luz sobre a vida cotidiana, sobre nosso mundo real.

A inculturação é, pois, um processo ligado diretamente à missão de evangelizar da Igreja. O Vaticano II ensina que a Igreja, “em virtude de sua missão e natureza, não está vinculada a nenhuma forma particular de cultura” (Gs 42).

5. Havia incultura ção na Igreja primitiva?
Na Igreja primitiva, a evangelização foi feita por meio da inculturação da fé no universo greco-romano e no Próximo Oriente. Foi assim que surgiram as modalidades bem diversas da teologia latina e da greco-oriental; foi assim também que surgiram diversas liturgias orientais de língua grega, siríaca, copta, árabe, páleo-eslava e as liturgias ocidentais na língua-latina. O mesmo se passou na Índia antiga, onde os missionários abandonaram a liturgia bizantina ou a romana e promoveram as liturgias nativas, como os ritos malabares e malancares.

6. Esse termo foi aceito pela Igreja?
O termo inculturação entrou nos documentos oficiais do Magistério da Igreja. A instrução da Congregação da Doutrina da Fé intitulada: Liberdade cristã e Libertação diz: “A fé é inspiradora de critérios de julgamento, de valores determinantes, de linhas de pensamento e de modelos de vida, válidos para toda a comunidade humana. E por essa razão que a Igreja, atenta às angústias de nossa época, indica o caminho de uma cultura na qual o trabalho seja reconhecido segundo a sua plena dimensão humana e onde cada ser humano encontra a possibilidade de se realizar como pessoa. Ela o faz em virtude da sua abertura missionária pela salvação integral do mundo, respeitando a identidade de cada povo e nação. A Igreja comunhão que une diversidade e unidade por sua presença no mundo inteiro, assume em cada cultura o que aí encontra de positivo. Todavia a inculturação não é simples adaptação externa; é uma íntima transformação dos autênticos valores culturais pela integração do cristianismo nas diversas culturas humanas
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sábado, 18 de junho de 2016

O poder da ave-maria.

Uma ave-maria bem recitada nos dá mais graças que mil rezadas sem reflexão.
Milhões dos católicos rezam frequentemente a ave-maria. Às vezes depressa, sem sequer pensarem nas palavras que estão dizendo. Este texto poderá ajudar-nos a rezar a ave-maria com mais fervor e mais consciência da sua profundidade.
Uma ave-maria bem rezada enche o coração de Nossa Senhora de alegria e nos concede grandes graças. Uma ave-maria bem recitada nos dá mais graças que mil rezadas sem reflexão.
A ave-maria é uma mina de ouro da qual podemos sempre extrair e nunca se esgota. É difícil rezar a ave-maria? Tudo o que temos de fazer é saber o seu valor e compreender o seu significado.
São Jerônimo nos diz que “as verdades contidas na ave-maria são tão sublimes, tão maravilhosas, que nenhum homem ou anjo poderiam compreendê-las inteiramente”.
Santo Tomás de Aquino, príncipe dos teólogos, “o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios”, como o chamou Leão XIII, pregou sobre a ave-maria durante 40 dias em Roma, enchendo os corações de êxtase.
O erudito jesuíta pe. Suárez declarou que, ao morrer, trocaria de bom grado todos os livros que tinha escrito, todas as obras que tinha realizado, pelo mérito de uma única ave-maria rezada devotamente.
Santa Matilde, que amava muito Nossa Senhora, esforçava-se certo dia para compor uma bela oração em sua honra. Nossa Senhora lhe apareceu com estas letras douradas em seu peito: “Ave, Maria, cheia de graça”. E lhe disse: “Minha filha, nenhuma oração que você talvez pudesse compor me daria a alegria da ave-maria”.
Certa vez, Nosso Senhor pediu a São Francisco que lhe desse algo. O santo respondeu: “Senhor, não posso te dar nada que eu já não tenha dado: todo o meu amor”. Jesus sorriu e disse: “Francisco, dá-me tudo de novo, e de novo, e me darás a mesma alegria”. Da mesma forma, nossa querida Mãe recebe cada ave-maria que lhe ofertamos com a mesma alegria com que ouviu aquela saudação da boca do Arcanjo Gabriel no dia da Anunciação, quando ela se tornou a Mãe do Filho de Deus.
São Bernardo e muitos outros santos enfatizaram que Maria jamais se recusou a ouvir as orações dos seus filhos na terra. Por que, às vezes, não abraçamos estas verdades consoladoras? Por que recusamos o amor e a consolação que a doce Mãe de Deus nos oferece?
Hugh Lammer foi um dedicado protestante que pregava com força contra a Igreja católica. Um dia, ele encontrou uma explicação da ave-maria e ficou tão encantado que começou a rezá-la diariamente. Toda a sua animosidade anticatólica foi a partir de então desaparecendo. Ele não apenas se converteu: tornou-se padre e professor de Teologia em Breslau.
Contam-se vários e vários relatos semelhantes a este: um sacerdote está ao lado de cama de um homem que morre em desespero por causa de seus pecados e sua falta de fé. O homem se recusa a confessar-se. Como último recurso, o sacerdote o ajuda a rezar pelo menos a ave-maria. Pouco depois, o pobre homem faz uma confissão sincera e morre na graça de Deus.
Santa Gertrudes nos diz em seu livro “Revelações” que, quando agradecemos a Deus pelas graças que Ele deu a qualquer santo, nos tornamos participantes daquelas mesmas graças. Ora, que graças então não recebemos quando rezamos a ave-maria agradecendo a Deus por todas as graças extraordinárias que Ele concedeu à Sua Mãe Bendita?
“Uma ave-maria dita sem fervor sensível, mas com desejo puro em tempo de aridez, tem muito mais valor à minha vista que um rosário inteiro no meio das consolações”, disse Nossa Senhora à Irmã Benigna Consolata Ferrero.

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A partir do blog O Segredo do Rosário

Senhor, não deixe que eu escolha o homem errado.

A oração sincera que toca o coração de Deus.
Querido Pai,Como você tem visto, tenho me esforçado para confiar a área sentimental da minha vida em Tuas mãos. Bem sei que não devo transformar o sonho de viver uma história de amor em um ídolo e que a minha vida não esteja voltada só para isso, mas de vez em quando surge o medo de escolher a pessoa errada.

Sei que não existem pessoas perfeitas e que embora algumas imperfeições pareçam charmosas, há defeitos em mim e nele que precisarão ser trabalhados para que possamos permanecer como um casal. Não são das imperfeições que tenho medo, mas sim do tipo de pessoa que ele será.

Parece besteira me preocupar com isso agora, já que a escolha será minha, o Senhor não vai me jogar nos braços dele ou fazer com que nos esbarremos qualquer hora dessas como nos filmes românticos. Em algum momento, meu coração vai se derreter e vou me apaixonar ou amar alguém, talvez ele não seja o melhor para mim e se não for não permita que a gente se case.

Não quero perder tempo ao lado de alguém temporariamente, quero começar uma história que venha com a sua benção e que só a morte nos separe. Abro mão dos testes e das tentativas frustradas, para viver um amor que seja segundo a Sua vontade.

Pai, não quero um cara perfeito, uma casa incrível e muito dinheiro no banco. O que desejo é alguém que segure a minha mão qualquer hora, que ore e leia a Bíblia comigo, que me apoie e sonhe comigo como eu sonharei e lutarei com ele.

Tua Palavra me ensinou que um homem deve amar a sua esposa como Jesus amou a Igreja, e ao ler sobre Jesus vejo o quanto Ele foi gentil, amoroso e dedicado aos filhos do seu Pai, assim sendo desejo um futuro marido que esteja atento a ser como Jesus, da mesma forma que estarei disposta a fazer.

Não quero entrar em relacionamentos opressivos, em que o amor é confundido com o ódio, o que anseio é um relacionamento baseado e inspirado em I Coríntios 13, no amor do próprio Deus.

Senhor, não deixe que eu escolha o homem errado, que entre em relacionamentos que me machucarão e ao rapaz também. O amor vence dores e desafios, porém não foi feito para ser composto apenas de dias escuros. Creio em união de propósitos e sei que não será diferente comigo e com o moço que ainda não sei o nome.

Com amor,

Sua pequena.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Formação - Os 10 mandamentos do casal.

A lista foi elaborada por uma equipe de psicólogos especialistas em terapia conjugal

Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou os Dez Mandamentos do Casal.

Gostaria de analisá-los aqui, já que trazem muita sabedoria para a vida e felicidade dos casais. É mais fácil aprender com o erro dos outros do que com os próprios.

1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo.
A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencermos de que na explosão nada será feito de bom. Todos sabemos bem quais são os frutos de uma explosão: apenas destroços, morte e tristeza. Portanto, jamais permitir que a explosão chegue a acontecer. D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…”

2. Nunca gritar um com o outro.
A não ser que a casa esteja pegando fogo.
Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Quanto mais alguém grita, menos é ouvido. Alguém me disse certa vez que se gritar resolvesse alguma coisa, porco nenhum morreria (…) Gritar é próprio daquele que é fraco moralmente, e precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.

3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro.
Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença”, para que mais rapidamente ela termine.

Discussão no casamento é sinônimo de “guerra” ; uma luta inglória. “A vitória na guerra deveria ser comemorada com um funeral”; dizia Lao Tsé. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes uma pequena discussão esconde por muitos dias o sol da alegria no lar.

4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor.
A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.

5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.
A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos.
Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isto que queremos para a pessoa amada. É preciso todo o cuidado para que isto não ocorra nos momentos de discussão. Nestas horas o melhor é manter a boca fechada. Aquele que estiver mais calmo, que for mais controlado, deve ficar quieto e deixar o outro falar até que se acalme. Não revidar em palavras, senão a discussão aumenta, e tudo de mau pode acontecer, em termos de ressentimentos, mágoas e dolorosas feridas.

Nos tempos horríveis da “guerra fria”, quando pairava sobre o mundo todo o perigo de uma guerra nuclear, como uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, o Papa Paulo VI avisou o mundo: “a paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”. Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo, “primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros”. E Paulo VI, ardoroso defensor da paz, dizia: “se a guerra é o outro nome da morte, a vida é o outro nome da paz.” Portanto, para haver vida no casamento, é preciso haver a paz; e ela tem um preço: a nossa maturidade.

6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.
Na vida a dois tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.

7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.
Se isso não acontecer, no dia seguinte o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução.
Já pensou se você usasse a mesma leiteira que já usou no dia anterior, para ferver o leite, sem antes lavá-la? O leite certamente azedaria. O mesmo acontece quando acordamos sem resolver os conflitos de ontem.

Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.

8. Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.
Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso dizer isto também com palavras. Especialmente para as mulheres, isto tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância.

Como são importantes essas expressões de carinho que fazem o outro crescer: “eu te amo”, “você é muito importante para mim”, “sem você eu não teria conseguido vencer este problema”, “a tua presença é importante para mim”; “tuas palavras me ajudam a viver”… Diga isto ao outro com toda sinceridade toda vez que experimentar o auxílio edificante dele.

9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.
Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro demonstra ser honesta, consigo mesma e com o outro. Quando erramos não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isto é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!

10. Quando um não quer, dois não brigam.
É a sabedoria popular que ensina isto. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar esta iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não por lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.

Todos nós temos a necessidade de um “bode expiatório” quando algo adverso nos ocorre. Quase que inconscientemente queremos, como se diz, “pegar alguém para Cristo”, a fim de desabafar as nossas mágoas e tensões. Isto é um mecanismo de compensação psicológica que age em todos nós nas horas amargas, mas é um grande perigo na vida familiar. Quantas e quantas vezes acabam “pagando o pato” as pessoas que nada têm a ver com o problema que nos afetou. Às vezes são os filhos que apanham do pai que chega em casa nervoso e cansado; outras vezes é a esposa ou o marido que recebe do outro uma enxurrada de lamentações, reclamações e ofensas, sem quase nada ter a ver com o problema em si.

Temos que nos vigiar e policiar nestas horas para não permitir que o sangue quente nas veias gere uma série de injustiças com os outros. E temos de tomar redobrada atenção com os familiares, pois, normalmente são eles que sofrem as consequências de nossos desatinos. No serviço, e fora de casa, respeitamos as pessoas, o chefe, a secretária, etc; mas, em casa, onde somos “familiares”, o desrespeito acaba acontecendo. Exatamente onde estão os nossos entes mais queridos, no lar, é ali que, injustamente, descarregamos as paixões e o nervosismo. É preciso toda a atenção e vigilância para que isto não aconteça. Os filhos, a esposa, o esposo, são aqueles que merecem o nosso primeiro amor e tudo de bom que trazemos no coração. Portanto, antes de entrarmos no recinto sagrado do lar, é preciso deixar lá fora as mágoas, os problemas e as tensões. Estas, até podem ser tratadas na família, buscando-se uma solução para os problemas, mas, com delicadeza, diálogo, fé e otimismo.

É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos. Na Encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II disse algo marcante:

“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente”. (RH,10)

Sem o amor a família nunca poderá atingir a sua identidade, isto é, ser uma comunidade de pessoas.

O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o Cântico dos Cânticos:

“…o amor é forte como a morte…
Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina.
As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)

Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade?
Seria mais coerente dizer que o “verdadeiro” amor não existiu entre eles. Não cresceu e não amadureceu; foi queimado pelo sol forte do egoísmo e sufocado pelo amor próprio de cada um. Não seria mais coerente dizer: “nós matamos o nosso amor?”

O poeta cristão Paul Claudel resumiu de maneira bela a grandeza da vida do casal:

“O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento.”
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Do livro: ‘Família, Santuário da Vida’, Prof. Felipe Aquino

A coisa-mulher, a coisa-homem, a coisa-estupro… E a pessoa?

A “coisa” não vai melhorar até aprendermos certas “coisas” sobre “não ser coisas”.

Os estupros, inclusive os “coletivos”, fazem parte quase “corriqueira”, há vários anos, das notícias internacionais sobre países como a Índia e dezenas de nações da África. Nos últimos meses, a realidade e extensão deste horror tem sido desmascarada também no Brasil, país com acúmulo de casos clamorosos e bastante mais numerosos do que até agora se supunha.

O fenômeno pavoroso do estupro também grassa em países considerados desenvolvidos: nos Estados Unidos, por exemplo, gerou intensa comoção nacional o recente julgamento do jovem Brock Turner, que estuprou uma jovem estudante inconsciente no campus da Universidade de Stanford.

Vamos começar por este caso e por uma constatação óbvia.

O que Brock Turner fez, mesmo para quem não acredita em Deus nem aceita a noção de pecado, pode ser entendido com relativa facilidade como um ato de pecado: ele tratou um ser humano como coisa.

Por meio do personagem Granny Weatherwax, do seu romance “Carpe Jugulum”, o escritor Terry Pratchett reflete:

– E o pecado, meu jovem, é quando você trata pessoas como coisas. Incluindo a si mesmo. Isto é o pecado.
– É muito mais complicado que isso…
– Não. Não é. Quando as pessoas dizem que as coisas são muito mais complicadas, é sinal de que elas estão preocupadas com o risco de não gostarem da verdade. Pessoas reduzidas a coisas: é aí que tudo começa.
– Ah, mas eu tenho certeza de que existem crimes piores.
– Mas eles sempre começam quando se pensa nas pessoas como coisas.

Terry Pratchett é ateu declarado. Mesmo assim, ele aceitou a noção de pecado e identificou um dos seus aspectos mais precisos.

O jovem Brock Turner apresentou a si mesmo como “vítima da cultura da festa em Stanford”, cultura essa que o teria levado a ver uma pessoa como coisa e a usá-la de forma criminosa.

O pai de Brock, Dan A. Turner, realçou a raiz desse pecado ao revelar que ele também via não só a vítima como coisa, mas ainda ao próprio filho como coisa; uma coisa que pertencia a ele e que, portanto, devia ser tratada com cuidado apesar daquele “ato de 20 minutos” – ele se referia a nada menos que o estupro.

“A vida dele (do filho) nunca mais vai ser a que ele sonhou e trabalhou tão duro para conseguir”, escreveu Dan Turner, argumentando que o rapaz deveria receber liberdade condicional. “(A prisão) é um preço alto demais por um ato de 20 minutos em seus 20 anos de vida”.

Uma das razões que levou o caso a chamar a atenção mundial foi que, depois de um júri condenar Brock Turner por seus crimes, o juiz Aaron Persky, citando a idade do rapaz e a sua falta de antecedentes criminais, concedeu-lhe uma sentença considerada branda, de seis meses na cadeia local, porque “a pena de prisão teria um impacto severo sobre ele (…) Eu acho que ele não vai ser um perigo para os outros”.

Acontece que Brock Turner já foi, claramente, um perigo para uma pessoa. Uma pessoa não é suficiente?

O juiz Aaron Persky também pecou. Ele não viu uma jovem mulher vitimada de maneira tremendamente indigna pelas mãos de Brock Turner. Ele viu um número. Ele viu um dado de vitimização criminal. Sua sentença não esteve em sintonia com uma pessoa, mas com uma coisa.

Há nesta história muitas manifestações do fenômeno que nos leva a ver pessoas como coisas, mas isto não deve surpreender-nos: é a tendência social. As faculdades veem os potenciais alunos como coisas, como números que vão satisfazer as suas várias cotas de necessidades: as coisas-atletas, as coisas-fêmeas, as coisas-minorias. A sociedade incentiva as mesmas polarizações: não incentiva que as pessoas vejam o próximo como um ser humano com dignidade intrínseca, e sim como uma coisa-gênero, uma coisa-mortadela, uma coisa-coxinha, uma coisa-número. As pessoas são vistas, largamente, como categorias às quais devemos opor-nos ou apoiar; como objetos a serem esmagados ou explorados. As crianças são induzidas a se tornarem coisas de sucesso mediante um sem-fim de atividades e treinamentos que as façam ser aceitas nas melhores escolas, círculos e empresas; que as transformem em coisas capazes de dar orgulho aos seus pais.

“Querido, querida, você pode ser qualquer coisa e conseguir tudo”: a esta narrativa, patentemente falsa, é preciso opor a eficácia do “não”: “Não, querido, não, querida, você não pode ser ‘qualquer coisa’ nem pode conseguir tudo. Mas pode conseguir a sua própria parcela de meios que ajudem você a ser a melhor pessoa que você pode e deve ser” – em relação ao seu próprio potencial e grandeza, não em comparação com a aparente grandeza e potencial dos outros.

A coisificação do outro é o exemplo mais gritante daquilo que nunca se pode “conseguir” como meio próprio. Até aprendermos isto de verdade, como sociedade, as “coisas” não tenderão a melhorar.

Mas há algo ainda mais básico a corrigirmos: a coisificação de nós mesmos. Se continuarmos alimentando o hábito de pensar em nós como meras coisas (e na humanidade como uma “coisa odiosa genérica” em vez de uma família de pessoas que precisam ser ajudadas na sua realização pessoal plena), a mudança será muito mais difícil.

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Adaptado do texto de Elizabeth Scalia Brock Turner, His Father, the Judge and the ThingVictim

Fonte: Aleteia.org

terça-feira, 14 de junho de 2016

Formação - O que é Liturgia das Horas ?

A Liturgia das Horas é uma das formas de a Igreja viver a Páscoa de Jesus Cristo no ritmo diário, semanal e anual do tempo. Pela oração das horas o Cristão é lançado no mistério da morte e ressurreição do Senhor, na expressão mais nobre e definitiva de sua atividade humana, a comunhão de seu Deus. Nas comunidades reunidas em oração, a Igreja vive diariamente como que os mistérios do Tríduo Pascal, da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Une sua oração a Cristo nos passos do Tríduo Pascal, mesmo evocando os demais mistérios de sua vida terrestre. Este caráter de vivencia pascal, de passagem da morte para a vida em Cristo manifesta-se pelos elementos de cada uma das horas.

1. O invitatório. O invitatório é um convite à oração. “Abri os meus lábios, ó Senhor. E minha boca anunciará vosso louvor”, com o salmo 94. Com esse invitatório os fiéis são convidados cada dia a cantar os louvores de Deus e a escutar sua voz, e são incentivados a desejar o “descanso do Senhor”. O salmo 94 pode ser substituído pelos salmos 99, 66 ou 23. O invitatório mostra que todo o ciclo da oração cotidiana constitui uma experiência pascal.

2. A oração da manhã. É também chamada louvor Matinal ou Laudes, é o louvor da Igreja pelo mistério de Cristo, sobretudo de seu aspecto glorioso: a Ressurreição. O sol que desponta dando forma e beleza a todas as coisas, o levantar-se, o reiniciar dos trabalhos, o alimento são símbolos da vida e ponto de partida para o louvor de Deus. Cada louvor matinal constitui uma pequena celebração da Ressurreição de Cristo e da nossa ressurreição com Ele. A oração da manhã se destina e se ordena à santificação do período da manhã. Essa hora é celebrada ao chegar à luz do novo dia e evoca a ressurreição de Jesus que é a luz verdadeira que ilumina todo homem (Jo 1, 9) é o sol da justiça (Ml 3, 20) nascendo do alto (Lc 1, 78).

O hino > costuma ser um hino matinal. Fala da luz do sol, do dia, do tempo concedido ao homem para servir e dar glória a Deus, o Senhor do tempo.

A salmodia > a salmodia tem um caráter de louvor pela criação do mundo e do homem e pela nova criaçãoem Cristo Jesus. O primeiro salmo faz sempre referência à luz, ao despontar do novo dia, como expressão da obra criadora de Deus por Jesus Cristo.

Os cânticos são expressões de experiências pascais vividas na história de um povo, ou diante da obra de Cristo Redentor. O terceiro elemento da salmodia um salmo de louvor, um convite ao louvor pelo dom de um novo dia, e que é dado à Igreja viver o mistério de Cristo.

As antífonas que emolduram os salmos e cânticos realçam o caráter matutino e pascal da hora, bem como o mistério celebrado.

A leitura breve > a leitura da Oração da manhã constitui um verdadeiro programa de vida para o dia que inicia em Cristo ressuscitado. A leitura muda de acordo com o dia, o tempo ou a festa.

O cântico evangélico > é o ponto alto da celebração. Ele expressa o louvor e a ação de graças pela Redenção, sendo um texto do Evangelho é proclamado de pé e com o sinal da cruz.

As preces > as preces da oração da manhã são chamadas invocações para recomendar ou consagrar o dia ao Senhor. Serão também de louvor a Deus, de confissão de sua glória e lembrança da história da Salvação.

O Pai-nosso > toda a Oração é resumida e completada pelo Pai nosso, em que se expressa a vocação do homem no seu relacionamento com Deus como filho, sua relação com o mundo criado, sustentado pelo alimento de cada dia e em sua relação com o próximo, a quem ele deve perdoar como o Pai do céu perdoa.

PERGUNTAS FREQUENTES

Quais os horários corretos para rezar a Liturgia das Horas?

Laudes: Oração da Manhã. É recitada no início do dia.

Hora Média: Oração das Nove (Terça), das Doze (Sexta) e das Quinze horas (Nona).

Vésperas: Oração do Entardecer. É recitada no fim da tarde.

Completas: é recitada antes de dormir.

Ofício das Leituras: pode ser recitado a qualquer hora do dia ou da noite.

A que horas devo rezar o Invitatório?

O Invitatório tem o seu lugar próprio no princípio de todo o ciclo da oração quotidiana; isto é, ou antes das Laudes ou antes do Ofício das Leituras, conforme o dia se iniciar com uma ou outra destas duas ações litúrgicas (IGLH 34).

Qual a diferença entre o Oficio das Leituras e as outras horas?

O Ofício das leituras é uma hora como as outras, com a diferença de que pode ser recitada a qualquer hora do dia ou da noite. Ele não é encontrado na edição compacta da Liturgia das Horas, somente na edição completa, em quatro volumes.

Qual o significado do asterisco [*] e da cruz [†], encontrados nos salmos da Liturgia das Horas?

O asterisco (*) e a “flecha” (†) servem para o canto.
Após o asterisco (*) faz-se uma pausa de um tempo (ou de um acento) e indica, em termos, que a frase melódica será concluída no verso seguinte.
Após a “flecha” (†) faz-se uma pausa igual de um tempo como no asterisco e indica que a frase melódica será concluída após dois versos.

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